Um Sporting medíocre perdeu hoje com a AAC. Um erro de RP1 aos 2’, o empate de JM28 aos 23’ e um golo de João Ribeiro aos 59’ sentenciaram mais uma derrota do Sporting, mais uma perante aqueles que os deveriam apoiar.
O (meu) comentário ao jogo está feito: o Sporting foi medíocre. Não foi mau, mas também não foi bom. Criou algumas oportunidades de golo mas foi algo lento e pouco colectivo (o que não está desassociado da inclusão simultânea de SV10 e MF14 em campo). A AAC foi eficaz, colectivamente competente, entrou melhor na 2ª parte mas não pode dizer-se que tenha feito uma boa exibição. Fez a exibição possível com os jogadores que tem (por exemplo, o trio do meio-campo é bastante fraquinho).
E por isso hoje entro noutro exercício. O das entrevistas fictícias (que parecem estar a ser populares) e avanço com aquilo que muitos sportinguistas (e JEB em particular) mereceriam ouvir no pós-jogo. Aqui vão:
Repórter fictício (RF) – Mais um jogo, mais uma derrota, o que tem a dizer?
Carlos Carvalhal (CC) – Bem, perdemos o jogo com alguma infelicidade, porque a produção ofensiva do adversário foi baixa mas de enorme eficácia (se formos objectivos, constataremos que atacaram pouco, ainda que isso possa ser justificado pelo facto de terem estado em vantagem na maior parte do jogo). Mas também é verdade que a nossa eficácia ofensiva não foi muito pior (fizemos mais alguns remates, mas em número nitidamente insuficiente para uma equipa que esteve sempre à procura do resultado) e, portanto, se no deve e haver houve algum equilíbrio, talvez o resultado mais ajustado fosse o empate. Em qualquer circunstância, um resulto muito insuficiente para uma equipa com a qualidade do Sporting.
RF – E que diagnóstico faz à exibição de hoje? A exibição foi um reflexo da pesada derrota no Dragão?
CC – Bem… óbvio que sofrer um golo aos 2 minutos afecta psicologicamente e que precisávamos de ter a bola para estabilizar. Tivemo-la, mas muitas vezes com pouca capacidade de ameaçar o último terço ofensivo do adversário e penso que o Sporting tem de corrigir isso.
RF – Qual acha que é a solução para sair desta profunda crise em que o Sporting está mergulhado?
CC – Penso que essa é uma pergunta para o presidente responder…
RF – Que está actualmente no Brasil?…
CC – Pois, parece que sim. Não sei porque não fui ver o bilhete de avião dele, não me parece que faça parte das minhas incumbências técnicas. Sabe, eu sou treinador de futebol. É essa a minha missão, o meu espírito, aquilo para que estudei e aquilo que gosto. E um treinador deve pensar no presente e no futuro, auxiliar os gestores, programar não apenas a semana de treino, mas a evolução dos jogadores nos 6 meses, ano, dois anos, seguintes. Não tenho perfil nem para ser líder de balneário, nem capataz. Nem isso deveria ser necessário…
RF – O que nos quer dizer? Que o futebol do Sporting sente falta de uma figura como Paulo Bento?
CC – Eu sinceramente não lhe consigo dizer o que faz falta a este Sporting. Já percebi que eu não sou com certeza, porque se não há forma de se dotar o clube de uma estrutura – competente ou incompetente, neste momento é inexistente – no futebol profissional, também não devem estar a contar comigo para preencher essa função (que nem quero, eu quero é treinar). E uma equipa, um colectivo, um grupo de homens, ressente-se da orfandade a que é vetada. Talvez o Paulo vivesse bem com essa situação, eu acho que num clube em que se é responsabilizado – pelos adeptos, pelo público, pela imprensa e em última instância pelos superiores hierárquicos (se contassem comigo provavelmente já teriam exercido a opção de prolongar o meu contrato…) – deve exigir-se responsabilidade a todos, nomeadamente àqueles que dirigem, mas também aos adeptos que vão para o estádio assobiar um jogador que tem uma função decisiva, antes de começar o jogo.
RF – Está a falar no Rui Patrício?
CC – Concebe coisa mais imbecil do que assobiar o guarda-redes no aquecimento? O que esperam atingir com isso, que mude de guarda-redes no balneário e coloque um guarda-redes que não tenha feito o aquecimento? A mim, ultrapassa-me.
RF – Como perspectiva o próximo jogo?
CC – Com muitas dificuldades. Aliás, sinto-me tentado a fazer como outros e a arrumar a trouxa e partir para o Brasil. É um privilégio treinar este grande clube, mas não me parece que a generalidade das pessoas tenha consciência do que é trabalhar com um grupo que não se escolheu, sem tempo para implementar ideias e métodos e em profunda crise de resultados e psicológica. No Sporting está sempre tudo mal. E sendo uma honra treinar este clube, não é um barco com que me apeteça ir ao fundo. Sabe, não fui eu quem o construiu e também não sou eu a pilotá-lo…
RF – Está a pensar apresentar a sua demissão?
CC – Amanhã logo se verá. Há algo que pesa, que é a minha palavra. Aquela que dei quando aceitei o desafio de vir para este clube durante 6 meses e aquela que dei aos jogadores. Sou uma pessoa de uma só palavra.
RF – Muito obrigado…
RF – Bom, agora Rui Patrício que pedimos para vir ao flash interview, obviamente em função do erro que cometeu e dos assobios que recebeu durante toda a partida, pode ser que assim consigamos mais algum motivo para ganhar audiências… Rui, o que tem a dizer sobre mais uma derrota, desta feita em casa, contra a Académica?
Rui Patrício (RP1) – [ao telefone, ouve-se… “tens a certeza que arranjas, então ok, também estou farto desta m*rda”] Desculpe, estava ao telefone com o meu empresário. Sobre a derrota de hoje? Não me parece estar a perceber a sua pergunta. Quer que lhe diga que a Académica marcou mais um golo que o Sporting e que estamos todos tristes com esse facto?
RF – Quero o seu comentário ao jogo…
RP1 – O meu comentário ao jogo é o mesmo do mister. Temos jogos pela frente e cada um tem de dar o seu melhor para ultrapassar, individual e colectivamente, este mau momento.
RF – Os assobios, sentiu a pressão dos adeptos do Sporting?
RP1 – Os assobios são-me indiferentes e estou-me totalmente nas tintas para os adeptos do Sporting. Olhe, estava a falar com o meu empresário e ele garante-me que me arranja vários clubes que me pagam um salário muito superior ao que recebo actualmente, se vier livre. Por isso, quando o presidente vier de férias vou tentar reunir com ele para ser libertado do meu contrato. Eu não tenho medo de estar livre para decidir o meu futuro e não quero jogar na sombra de ninguém. O Sporting é, e será sempre, o meu clube. Mas não me identifico com alguns que estão atrás das balizas que até cantam que o Sporting são eles. Eu até me pergunto porque não constituem o “Sporting somos nós FC”, seguramente seria uma potência desportiva…
RF – Muito obrigado…
RF – Bom… vejo João Moutinho que se encaminha na nossa direcção e parece que se está a disponibilizar para uma entrevista curta, vamos aproveitar a oportunidade. João, mais um jogo, mais uma derrota, o que tem a dizer sobre este jogo?
João Moutinho (JM28) – O mesmo que o Rui e que o mister. Queria apenas dizer que se querem que eu me vá embora, que procurem bem um clube onde possa receber pelo menos o triplo do salário. É que comprei um carro novo e não estou muito satisfeito com ele. E como também não o quero vender – vou deixá-lo para a minha mulher – queria comprar outro, mas assim à grande. Desta vez quero mesmo um Ferrari.
RF – Não estou a perceber… está a disponibilizar-se para sair?
JM28 – Claro! Fico mais do que contente por receber o triplo do salário. Aliás, eu já poderia ter saído há alguns anos e ando a perder muito dinheiro no Sporting, em comparação com o que poderia ter recebido. Aceitei renovar porque o Sporting é um grande clube e está-me no coração, mas há episódios que fazem transbordar o copo. Nem vou falar da camisola que atiraram para o fosso, consegue conceber coisa mais imbecil do que assobiar um guarda-redes durante o aquecimento? E não ficava contente se a SIC lhe oferecesse o triplo do salário?
RF – Mas como é que o Sporting lhe irá encontrar um clube que lhe ofereça o triplo do salário?
JM28 – Como? Acho relativamente simples. E nem tem de passar pela mesma solução que o Rui, porque o Rui até percebo que não queira jogar mais no Sporting. Mas se reduzirem substancialmente o que pedem pela minha transferência, é provável que consiga sair para ganhar bem mais. Ah! E o Miguel diz que não aceita sair por menos de 10 vezes o que ganha actualmente. O que também é normal, ele ganha um terço do que eu ganho…
RF – Mas isso não comprometeria a possibilidade do Sporting rentabilizar as vossas transferências?
JM28 – Não quero falar pelo Miguel, mas… o que é que eu tenho a ver com isso?