08 Fevereiro 2010

Duas (breves) notas sobre um Sporting-Benfica

1. Estratégia pré-jogo – O Sporting, CC, a equipa técnica, os jogadores, decidiram esconder-se do público: treino à porta fechada, convocatória de todo o plantel 24 jogadores, ausência de conferência de imprensa.

Se a decisão se percebe face aos recentes tempos difíceis, faria exactamente o contrário: poderia convocar todo o plantel, mas apresentaria vários jogadores à imprensa e – sobretudo – aos sportinguistas. Quem não deve, não teme e esta seria uma forma de mostrar ao público que se trabalha com confiança no próprio valor e com confiança no trabalho que se faz diariamente nos treinos. Expor os jogadores seria uma manifestação dessa confiança e da solidariedade do grupo, mostraria que não há nada a esconder dos próprios adeptos e do adversário. Quando se começa um jogo há sempre três resultados possíveis…

2. Estratégia para o jogo – para defrontar o Benfica, há que tirar lições do que fez a AAC na Luz.

A única forma de estancar o volume de jogo ofensivo é travar os passes verticais que têm como destinatário principal Cardozo, mas também Saviola. Se o fizer, o Sporting terá uma boa hipótese de ganhar o jogo. Se não o fizer, o Sporting poderá - na melhor das hipóteses e com alguma boa fortuna - empatar.

E caso pretenda jogar com dois avançados, CC terá de os colocar bem recuados nas linhas entre Javi Garcia e os centrais do Benfica. Adoptando essa estratégia, ter-se-ia de colocar um 10 mais criativo, nas imediações de Javi Garcia e mesmo com capacidade para cair nas suas costas e chamar os centrais e – insisto neste ponto – fixar a tripla de médios-centro no meio.

Com a defesa subida, porque nem Saviola, nem Aimar, nem Cardozo são jogadores fisicamente rápidos – embora utilizem bem os espaços nas costas das defesas e os dois primeiros sejam muito rápidos a decidir – o Sporting poderia encurtar o espaço de jogo do Benfica e deixar à sua sorte a luta particular entre JP21 e Di Maria.

O Benfica não é nenhum bicho-papão. Até agora não vi ainda nenhum clube procurar a zona 6 do Benfica com insistência, para lá colocar homens e bola. As bolas perdidas não seriam um problema, pois basta um pequeno desequilíbrio para conseguir colocar uma bola na diagonal para as laterais. Como a pressão dos laterais do Benfica é muito forte na primeira fase de construção, o Sporting poderia através desse passe directo criar situações em que poderia progredir em situações de 3 para 3 em ataque rápido. Perdendo a bola, estaria organizado, de frente para o adversário e pronto a recuperar a bola. Ganhando espaço o espaço nessa zona 6, poderia optar por sair rapidamente ou temporizar e sair em ataque organizado. Mas em qualquer circunstância ultrapassaria o problema da dificuldade da saída em construção (optando não sair em construção...).

Ao invés, o que o Sporting não deve fazer é procurar sair a jogar pelas laterais. Esse seria o maior erro: o Benfica cobre muito bem essas zonas numa pressão do centro para as linhas e perder-se-iam muito mais bolas, com muito mais perigo, do que se se procurar directamente uma zona mais avançada no terreno. Por isso sugeriria também um meio-campo de combate. Uma tripla PM2-AS6-JM28, com os três bem fixos no centro, seria uma boa solução para recuperar as segundas bolas (esta solução deixaria de fora MI7, que também teria boas características para jogar numa posição interior, mas que é menos rápido a decidir do que AS6 numa zona interior).

Nas laterais, o Sporting precisa de arriscar o adiantamento dos seus jogadores, mas sem que a bola passe por eles numa primeira fase de construção. Estando disponível, MV24 seria a minha solução para a lateral-esquerda. Caso contrário, colocaria em campo PS5, que apesar de não saber defender, conseguiria dar alguma profundidade ofensiva por esse flanco (algo que LG18 é absolutamente incapaz).

E no centro da defesa, além do regresso obrigatório de DC3, faria alinhar AP4, que tem maior capacidade de jogar em antecipação do que T13 e que colocaria a jogar na direita, zona em que Cardozo cairá mais vezes. A capacidade de bloquear o passe vertical para Cardozo será determinante na partida.

Seguindo esta lógica, o meu 11 seria o seguinte (em 4-1-2-1-2):

RP1; JP21, AP4, DC3, MV24(PS5); PM2; AS6, JM28; MF14; SP22, HP23.

Infelizmente voltaste!

Era difícil, mas (re)encontrámos coisas mais imbecis do que apupar um guarda-redes durante o aquecimento. Bem vistas as coisas, não era preciso esperar muito, bastava que JEB voltasse a abrir a boca.

Ainda esperei por uma dupla confirmação de que JEB tinha dito isto: “Infelizmente estou a par de tudo”. Parecia-me demasiado cretino para ser verdade, filtragem jornalística e/ou má vontade na transcrição. Quem está sentado durante 8h, sabendo que vai encontrar jornalistas à porta do aeroporto não poderia dizer tamanha anormalidade. Mas… afinal, é JEB!...

Infelizmente estou a par de tudo…

Era melhor não estar "a par de tudo"? Do clube que preside e de quem recebe um salário – assim pelo equivalente ao do A78 – do clube que teoricamente se ama e se abandona para ir beber umas caipirinhas em período decisivo da temporada? Do clube que ficou com uma administração ausente (ou inexistente) desde que os compinchas MRT-Barbosa-PB se foram embora? Era melhor a doce ignorância?? Ou a água de coco?

É isto que tem para nos dizer, Sr. Primeiro Presidente Remunerado da História do Clube? Não havia ninguém para mandar calar ou tentar ir às ventas no aeroporto? Não havia um Jorge Baptista na bagagem de mão?

A par, também eu estou! E dolorosamente, porque estive no estádio.

Que confiança podemos ter num futuro melhor se este “presidente”, que nem novato seria à frente das câmaras, nem sequer aprende com os erros? Como disse aqui, se é para não dizer nada, o melhor, é não dizer nada! Porque se se diz alguma coisa, há o risco de sair uma imbecilidade do calibre de “infelizmente estou a par de tudo”.

O Sporting não precisa de uma injecção de liderança. Precisa de uma injecção de neurónios.

07 Fevereiro 2010

Uma jogada, quatro erros

Foi com imensa curiosidade que cheguei ontem a casa para rever o 2º golo da AAC. No estádio, à medida que se desenrolava a jogada e depois de ter visto João Ribeiro a receber sozinho a bola no centro, o que lhe permitiria desenvolver a jogada de ataque, procurava PM2. No final da jogada, continuei à procura de PM2. Cheguei a procurá-lo fora de campo e a contar o número de jogadores para ter a certeza que estariam 11 em campo. E só depois o encontrei na esquerda…

Por isso quis ver verificar se o génio (posicional) do PM2 porventura teria comprometido no lance que deu o golo da vitória à AAC. E vendo a jogada ao pormenor, na minha opinião pode constatar-se que PM2 erra, mas que não está sozinho nas más decisões individuais que resultaram num golo estupidamente fácil para a AAC. Ninguém teve de fazer uma finta, ninguém teve de fazer um passe de risco e – em situação de inferioridade numérica – a AAC chegou a uma zona de finalização sem que alguma vez tenha enfrentado uma oposição séria por parte da defesa do Sporting.

Deixo duas repetições do golo, uma mais próxima e outra mais longínqua. A primeira interessa-me mais porque parte da perda de bola de SV10 (na área adversária) – ele que tinha SP22 próximo e LG18 aberto na linha – e porque é precisamente esse movimento que determina que PM2 se encaminhe para a lateral-esquerda, que não mais viria a largar, apesar da jogada desenrolar pelo centro do terreno.


A jogada inicia-se em Tiero, que faz uma finta inconsequente sobre MF14 e caminha para a esquerda, passando a bola a Cris(?). Cris está só porque JM28, que se colocava entre Tiero e Cris, vê a bola passar à sua frente e corre na sua direcção para procurar travar o movimento deste. Só que este levanta a cabeça e descobre um João Ribeiro na zona 6 totalmente liberto: é aqui que o ataque rápido da AAC, apesar da inferioridade numérica, começa a ser perigoso.

Este é, para mim, o momento em que o erro de PM2 na abordagem ao lance se torna evidente: tendo largado a zona 6 para fazer a compensação ao lateral e estando a equipa balanceada para o ataque (SV10 tinha SP22 e LG18 à sua frente e tentara passar de calcanhar para MF14), PM2 deveria ter abandonado a sua dobra e encaminhado para a sua zona, por forma a fazer com os centrais um triângulo onde a boa não entrasse. Triângulo esse que pelo menos atrasaria a circulação da bola para as laterais, pois impediria a sua passagem pelo meio, e obrigaria – ainda que houvesse espaço nas laterais, o adversário a encaminhar-se para a linha de fundo com uma oposição colectiva, por oposição ao que aconteceu, que João Ribeiro recebesse a bola sozinho, a passasse para Emídio Rafael(?) e a recebesse, sempre só, no meio.

Mas o erro de PM2 não está desacompanhado. Colocado em profundidade, Lito faz a linha defensiva do Sporting recuar de forma pouco compreensível – sobretudo numa situação de superioridade numérica por parte dos defensores – ninguém tendo procurado sair em oposição a João Ribeiro que receberia a bola sozinho na zona 10 (ofensiva) para distribuir. João Ribeiro recebeu a bola sozinho ainda no seu meio-campo, virou-se para a baliza adversária e colocou – como referi – em Emídio Rafael na esquerda. Quando o passe sai, JP21 sai da linha defensiva de quatro do Sporting para atacar a bola. Fá-lo sem o apoio próximo de AP4 que poderia – se estivesse próximo – impedir ou colocar um obstáculo à devolução do passe, que era simples. Mas o segundo erro está na abordagem de JP21 ao lance: além de ter quebrado a disciplina defensiva (que mesmo que recuando excessivamente, se mantinha relativamente coesa) saiu à bola com pouco critério, sendo ultrapassado para dentro por um toque simples do adversário, ficando definitivamente fora da jogada. Através da sua acção, não se colocando em contenção, JP21 transformou uma situação de 4 atacantes para 4 defensores (ou 4 atacantes para 5 defensores, se contarmos o apoio defensivo próximo de JM28, que está no encalço de João Ribeiro e que já havia pressionado o 1º passe de Tiero e Cris no 1º terço ofensivo) numa situação de irremediável 4 para 3 (sem se conseguir atrasar o passe de Emídio Rafael, JM28 fica também fora da jogada).

Terceiro erro, AP4 ao ver o seu colega JP21 dirigir-se em direcção ao opositor, mantém-se estático, longe do apoio que deveria oferecer caso este fosse ultrapassado. Assim, ainda por cima não havendo ninguém na zona 6, AP4 tem de acompanhar JP21 no ataque à zona da bola, o que lhe permitiria controlar a zona para onde o passe poderia ser dobrado. Quando se faz ao lance, já é tarde demais e é apanhado em contra-pé. Assiste a um passe, simples e para o centro do terreno, entrar em João Ribeiro. T13 faz o que tem de fazer: acompanha Lito até perceber que a bola não lhe será dirigida (o momento do passe para João Ribeiro, o passe de Emídio Rafael poderia tê-lo como destinatário e a responsabilidade da marcação do 1º avançado é do central do lado da bola), pára o seu movimento quando percebe que João Ribeiro recebeu a bola sozinho no centro e tenta – já dentro da área – fazer oposição sem sucesso.

Um última referência para novo erro posicional de PM2 que – tendo ficado a jogada toda a controlar o seu opositor directo na esquerda – ficou muito longe de T13 para prestar um apoio directo e efectivo. PM2 não está apenas longe do seu central de referência, querendo jogar a defesa-esquerdo, está também em desarmonia com a linha defensiva. Caso estivesse bem posicionado, em linha com T13 e AP4 e próximo de T13, teria sido capaz de fazer a dobra que T13 não foi capaz, ainda que isso implicasse que Vouho recebesse a bola através de um passe lateral de João Ribeiro. Esta opção poderia dar uma situação de golo iminente para Vouho, mas seria claramente preferível a deixar João Ribeiro rematar sem oposição no coração da grande área, pois não apenas se poderia ter criado alguma dificuldade na oposição ao passe, Vouho estaria em posição lateral.

Quarto e último erro a salientar o de MF14, que no decurso da totalidade da jogada correu sem nunca preencher qualquer espaço defensivo, transformando o que poderia ser um 4 para 6 numa situação de inferioridade numérica. Também ele poderia ter ocupado o espaço defensivo da zona 6 depois de JM28 ter sido ultrapassado, mas ficou impávido e sereno. E o Sporting sofreu com esta acumulação de erros.

06 Fevereiro 2010

€11M para perder com a Académica

Um Sporting medíocre perdeu hoje com a AAC. Um erro de RP1 aos 2’, o empate de JM28 aos 23’ e um golo de João Ribeiro aos 59’ sentenciaram mais uma derrota do Sporting, mais uma perante aqueles que os deveriam apoiar.

O (meu) comentário ao jogo está feito: o Sporting foi medíocre. Não foi mau, mas também não foi bom. Criou algumas oportunidades de golo mas foi algo lento e pouco colectivo (o que não está desassociado da inclusão simultânea de SV10 e MF14 em campo). A AAC foi eficaz, colectivamente competente, entrou melhor na 2ª parte mas não pode dizer-se que tenha feito uma boa exibição. Fez a exibição possível com os jogadores que tem (por exemplo, o trio do meio-campo é bastante fraquinho).

E por isso hoje entro noutro exercício. O das entrevistas fictícias (que parecem estar a ser populares) e avanço com aquilo que muitos sportinguistas (e JEB em particular) mereceriam ouvir no pós-jogo. Aqui vão:

Repórter fictício (RF) – Mais um jogo, mais uma derrota, o que tem a dizer?

Carlos Carvalhal (CC) – Bem, perdemos o jogo com alguma infelicidade, porque a produção ofensiva do adversário foi baixa mas de enorme eficácia (se formos objectivos, constataremos que atacaram pouco, ainda que isso possa ser justificado pelo facto de terem estado em vantagem na maior parte do jogo). Mas também é verdade que a nossa eficácia ofensiva não foi muito pior (fizemos mais alguns remates, mas em número nitidamente insuficiente para uma equipa que esteve sempre à procura do resultado) e, portanto, se no deve e haver houve algum equilíbrio, talvez o resultado mais ajustado fosse o empate. Em qualquer circunstância, um resulto muito insuficiente para uma equipa com a qualidade do Sporting.

RF – E que diagnóstico faz à exibição de hoje? A exibição foi um reflexo da pesada derrota no Dragão?

CC – Bem… óbvio que sofrer um golo aos 2 minutos afecta psicologicamente e que precisávamos de ter a bola para estabilizar. Tivemo-la, mas muitas vezes com pouca capacidade de ameaçar o último terço ofensivo do adversário e penso que o Sporting tem de corrigir isso.

RF – Qual acha que é a solução para sair desta profunda crise em que o Sporting está mergulhado?

CC – Penso que essa é uma pergunta para o presidente responder…

RF – Que está actualmente no Brasil?…

CC – Pois, parece que sim. Não sei porque não fui ver o bilhete de avião dele, não me parece que faça parte das minhas incumbências técnicas. Sabe, eu sou treinador de futebol. É essa a minha missão, o meu espírito, aquilo para que estudei e aquilo que gosto. E um treinador deve pensar no presente e no futuro, auxiliar os gestores, programar não apenas a semana de treino, mas a evolução dos jogadores nos 6 meses, ano, dois anos, seguintes. Não tenho perfil nem para ser líder de balneário, nem capataz. Nem isso deveria ser necessário…

RF – O que nos quer dizer? Que o futebol do Sporting sente falta de uma figura como Paulo Bento?

CC – Eu sinceramente não lhe consigo dizer o que faz falta a este Sporting. Já percebi que eu não sou com certeza, porque se não há forma de se dotar o clube de uma estrutura – competente ou incompetente, neste momento é inexistente – no futebol profissional, também não devem estar a contar comigo para preencher essa função (que nem quero, eu quero é treinar). E uma equipa, um colectivo, um grupo de homens, ressente-se da orfandade a que é vetada. Talvez o Paulo vivesse bem com essa situação, eu acho que num clube em que se é responsabilizado – pelos adeptos, pelo público, pela imprensa e em última instância pelos superiores hierárquicos (se contassem comigo provavelmente já teriam exercido a opção de prolongar o meu contrato…) – deve exigir-se responsabilidade a todos, nomeadamente àqueles que dirigem, mas também aos adeptos que vão para o estádio assobiar um jogador que tem uma função decisiva, antes de começar o jogo.

RF – Está a falar no Rui Patrício?

CC – Concebe coisa mais imbecil do que assobiar o guarda-redes no aquecimento? O que esperam atingir com isso, que mude de guarda-redes no balneário e coloque um guarda-redes que não tenha feito o aquecimento? A mim, ultrapassa-me.

RF – Como perspectiva o próximo jogo?

CC – Com muitas dificuldades. Aliás, sinto-me tentado a fazer como outros e a arrumar a trouxa e partir para o Brasil. É um privilégio treinar este grande clube, mas não me parece que a generalidade das pessoas tenha consciência do que é trabalhar com um grupo que não se escolheu, sem tempo para implementar ideias e métodos e em profunda crise de resultados e psicológica. No Sporting está sempre tudo mal. E sendo uma honra treinar este clube, não é um barco com que me apeteça ir ao fundo. Sabe, não fui eu quem o construiu e também não sou eu a pilotá-lo…

RF – Está a pensar apresentar a sua demissão?

CC – Amanhã logo se verá. Há algo que pesa, que é a minha palavra. Aquela que dei quando aceitei o desafio de vir para este clube durante 6 meses e aquela que dei aos jogadores. Sou uma pessoa de uma só palavra.

RF – Muito obrigado…

RF – Bom, agora Rui Patrício que pedimos para vir ao flash interview, obviamente em função do erro que cometeu e dos assobios que recebeu durante toda a partida, pode ser que assim consigamos mais algum motivo para ganhar audiências… Rui, o que tem a dizer sobre mais uma derrota, desta feita em casa, contra a Académica?

Rui Patrício (RP1) – [ao telefone, ouve-se… “tens a certeza que arranjas, então ok, também estou farto desta m*rda”] Desculpe, estava ao telefone com o meu empresário. Sobre a derrota de hoje? Não me parece estar a perceber a sua pergunta. Quer que lhe diga que a Académica marcou mais um golo que o Sporting e que estamos todos tristes com esse facto?

RF – Quero o seu comentário ao jogo…

RP1 – O meu comentário ao jogo é o mesmo do mister. Temos jogos pela frente e cada um tem de dar o seu melhor para ultrapassar, individual e colectivamente, este mau momento.

RF – Os assobios, sentiu a pressão dos adeptos do Sporting?

RP1 – Os assobios são-me indiferentes e estou-me totalmente nas tintas para os adeptos do Sporting. Olhe, estava a falar com o meu empresário e ele garante-me que me arranja vários clubes que me pagam um salário muito superior ao que recebo actualmente, se vier livre. Por isso, quando o presidente vier de férias vou tentar reunir com ele para ser libertado do meu contrato. Eu não tenho medo de estar livre para decidir o meu futuro e não quero jogar na sombra de ninguém. O Sporting é, e será sempre, o meu clube. Mas não me identifico com alguns que estão atrás das balizas que até cantam que o Sporting são eles. Eu até me pergunto porque não constituem o “Sporting somos nós FC”, seguramente seria uma potência desportiva…

RF – Muito obrigado…

RF – Bom… vejo João Moutinho que se encaminha na nossa direcção e parece que se está a disponibilizar para uma entrevista curta, vamos aproveitar a oportunidade. João, mais um jogo, mais uma derrota, o que tem a dizer sobre este jogo?

João Moutinho (JM28) – O mesmo que o Rui e que o mister. Queria apenas dizer que se querem que eu me vá embora, que procurem bem um clube onde possa receber pelo menos o triplo do salário. É que comprei um carro novo e não estou muito satisfeito com ele. E como também não o quero vender – vou deixá-lo para a minha mulher – queria comprar outro, mas assim à grande. Desta vez quero mesmo um Ferrari.

RF – Não estou a perceber… está a disponibilizar-se para sair?

JM28 – Claro! Fico mais do que contente por receber o triplo do salário. Aliás, eu já poderia ter saído há alguns anos e ando a perder muito dinheiro no Sporting, em comparação com o que poderia ter recebido. Aceitei renovar porque o Sporting é um grande clube e está-me no coração, mas há episódios que fazem transbordar o copo. Nem vou falar da camisola que atiraram para o fosso, consegue conceber coisa mais imbecil do que assobiar um guarda-redes durante o aquecimento? E não ficava contente se a SIC lhe oferecesse o triplo do salário?

RF – Mas como é que o Sporting lhe irá encontrar um clube que lhe ofereça o triplo do salário?

JM28 – Como? Acho relativamente simples. E nem tem de passar pela mesma solução que o Rui, porque o Rui até percebo que não queira jogar mais no Sporting. Mas se reduzirem substancialmente o que pedem pela minha transferência, é provável que consiga sair para ganhar bem mais. Ah! E o Miguel diz que não aceita sair por menos de 10 vezes o que ganha actualmente. O que também é normal, ele ganha um terço do que eu ganho…

RF – Mas isso não comprometeria a possibilidade do Sporting rentabilizar as vossas transferências?

JM28 – Não quero falar pelo Miguel, mas… o que é que eu tenho a ver com isso?

Atirar dinheiro aos problemas #3

Era previsível, mas ainda não tínhamos sido confrontados com uma 1ª página como a do Record de hoje. Acabou-se a “protecção”, a partir deste momento todos estarão à venda e – nesta notícia – refere-se que até MI7 (por quem foi recusada recentemente uma proposta na ordem dos €6M) e SP22 (recentemente contratado pelos tais €6,5M+€1M) poderão estar na calha para sair. Não haverá obstáculos na revolução (ao plantel) que poderá dotar o Sporting de uma equipa mais competitiva! Só mesmo o valor dos jogadores contratados em relação aos jogadores cedidos poderá obstar a que isso aconteça…

Como se refere aqui, o Sporting continua em queda livre. Mas ao contrário do que ali se refere, não é desportiva a queda, é intelectual. Se as opções, à partida, já eram intelectualmente discutíveis (ver, más), tem-se tido uma notável capacidade de alinhar as decisões subsequentes por um grau de estupidez crescente. Vejamos o contexto desta 1ª página que coloca JEB a entoar a cantiga do bandido…

Longe, em terras de Vera Cruz, depois de ter assistido remotamente a Sá Pinto – o Director do futebol por si escolhido – pegar-se à pancada com o jogador mais bem pago do plantel e a apresentar a sua demissão na sequência, JEB sugere que é preciso ir ao mercado para “reforçar” a equipa. E como sempre faltaram meios para o fazer, o que se prevê é que saiam esses meninos mimados que por acaso (ninguém percebe porquê, se são uns mimados) valem muito dinheiro. Isto para contratar outros meninos, menos mimados, que serão muito melhores (presume-se) e que valham muito menos dinheiro. Ninguém se interrogando porque razão estes outros meninos, melhores e mais baratos, não são contratados pelos clubes que contratarão os “nossos” meninos mimados. Esse passo lógico, parece não ser necessário…

Vender para comprar, eis a lógica. Vender porque o que existe é insuficiente. Insuficiente para assegurar competitividade contra o SCBraga, leia-se, que continua na frente da classificação. Ou talvez insuficiente para atenuar a dor emocional de ver o Benfica à frente e a jogar bom futebol. Em qualquer caso, insuficiente para encher os sportinguistas da paixão que havia sido prometida em campanha eleitoral.

Mas vender para comprar tem esse pequeno problema adicional: antes de comprar é preciso vender. E quem quer vender tem de ser paciente para não vender mal. Mais. Ao anunciar que se quer vender para comprar, está-se igualmente a dizer aos futuros compradores que poderão ser pacientes na hora de comprar, por duas razões: (i) porque os salários que o Sporting oferece são baixos e por essa razão outros clubes dificilmente não terão capacidade de persuadir os jogadores do Sporting a sair qualquer seja a altura da época em causa e (ii) porque o planeamento da época desportiva do Sporting dependendo da realização de um encaixe prévio, a influência do atraso na venda afecta directamente o valor pelo qual o Sporting estará disposto a vender.

Este problema não é novo no clube. Já o vimos em relação à venda de Quaresma, do CR9 ou do património imobiliário. Mas como a decisão de vender para comprar é imbecil à partida, não se pode sequer esperar de quem a toma que seja suficientemente perspicaz para perceber este passo lógico. O que é importante - à Benfica – é criar a impressão de que se está a fazer tudo para melhorar, mesmo se no fundo o que se está a fazer é apenas a gerir mal.

E refere a notícia que por aqueles que o Sporting se propõe vender – aqueles que aparecem na capa – o Sporting já recebeu boas propostas. Deduz-se que não as aceitou porque poderiam ser jogadores “protegidos” (nomeadamente MV24 e JM28, por terem sido formados no clube). Mas novamente não se dá – outra vez, porque uma decisão deste calibre seria vergonhosamente idiota à partida – aquele pequeno passo lógico adicional: será que as propostas eram boas porque o Sporting se colocava no mercado numa posição de não aceitar vender (carecendo para isso de um forte incentivo, como aconteceu com Nani)? Minudências…

É indiferente. Aquilo que é necessário é mostrar-se que se está a fazer qualquer coisa! E no rescaldo de um resultado historicamente mau, é preciso mostrar liderança. Mesmo que essa liderança esteja longe e diga o que é estupidamente inconsequente: mudamos tudo, logo se vê se resulta. E nada melhor do que fazer isto em dia de jogo em Alvalade

The last breath of a dying man...

O que pretendem os jornais ou JEB (ou Salema Garção… ninguém sabe quem manda no clube por estes dias) com esta responsabilização directa dos jogadores pela performance desportiva do clube? Aligeirar a responsabilidade da culpa dirigente, que é TOTAL, no que aconteceu esta temporada. Senão vejamos:

1. PB4EVER – esta é a primeira declaração da actual “estrutura dirigente”. Uma declaração que o próprio PB, 4 meses depois, veio dizer que era emocionalmente (por oposição a racionalmente) motivada e, no fim de contas, errada. Um ciclo que deveria ter acabado antes do princípio da época foi alongado por este presidente. Culpa dos jogadores?

2. Estruturação da época – 4 jogos de preparação, contratação de jogadores para o lugar de futuros dispensados antes das dispensas efectivamente terem sido concretizadas, rábula da tentativa gorada de venda de MV24 e dispensa de Rochemback. Culpa dos jogadores?

3. Esgotamento da capacidade técnica da equipa, incapacidade de proporcionar um único jogo aprazível para a massa adepta qualquer fosse o adversário, mínimos históricos no arranque da época. Culpa dos jogadores?

4. Conferência de imprensa de saída de PB, choro convulsivo do presidente, vaticínio de que os sportinguistas terão muitas saudades e não merecem alguém como PB, guerrilhas internas, ameaças de expulsão de associados, ameaças físicas a um associado, assumpção da inexistência de um plano alternativo àquele que havia sido (erradamente) delineado no princípio da época. Culpa dos jogadores?

5. Saída em bloco da estrutura dirigente do futebol – MRT-Barbosa – que era também o suporte ideológico de JEB e cuja cumplicidade foi determinante no avanço da sua candidatura e na sua vitória eleitoral, com a assumpção de um projecto terminado e falhado. Culpa dos jogadores?

6. Desaparecimento público da estrutura dirigente, tentativa gorada de um treinador (que hoje é adversário), contrato por 6 meses com o actual treinador, apresentação pública da contratação de CC feita com uma vergonha que questionava à partida a sua legitimidade para conduzir os destinos do clube. Culpa dos jogadores?

7. Dispensa de dois jogadores (Caicedo e Angulo) contratados no início da temporada e apresentados como mais-valias para o clube. Culpa dos jogadores?

8. Gastos na ordem dos €11M – tornando o Sporting no clube que mais gastou neste mercado de inverno – quando os objectivos passíveis de se atingir, de forma realista, se deveriam reduzir a duas taças, uma das quais de pouca importância. Culpa dos jogadores?

9. Confrontos físicos entre o jogador mais bem pago do clube e o Director de Futebol, posterior demissão deste – tudo em ausência do presidente – após uma vitória sobre o clube com que se partilhava o 4º lugar. Culpa dos jogadores?

10. Derrota histórica com um presidente de férias no Brasil e uma estrutura dirigente reduzida a Pedro Mil Homens e(?) Salema Garção, em dias posteriores à divulgação de escutas que denigrem o actual presidente nas palavras de Pinto da Costa. Culpa dos jogadores?

11. Proposta de revolução de balneário sem que exista uma cúpula dirigente visível ou sequer imaginável, sem que se saiba que será o próximo treinador, em dia de jogo. Culpa dos jogadores?

E estou a ser simpático ao não falar das inúmeras outras ocasiões (como a da invasão da Academia à pedrada e a recente rábula da troca de bilhetes pela antecipação do jogo da Taça da Liga) em que o comportamento da estrutura dirigente tem sido pouco menos que vergonhoso…

E QUEREM TROCAR OS JOGADORES? Troquem mas é de dirigentes.

Havia condições para os jogadores terem um bom desempenho desportivo? A resposta é NÃO.

Por isso, a todos os sportinguistas que acham que é útil vender para comprar, digo: estão a seguir um caminho destrutivo, em que aquilo que se poderia construir depois da destruição é uma incógnita que, a julgar pelo histórico destes decisores, será equivalente a acabar com o futebol do clube.

O Sporting tem condições únicas para ser uma referência do desporto nacional. Para isso, basta afastar os benfiquistas (leia-se JEB) que agem primeiro e pensam depois.

05 Fevereiro 2010

As causas além do mérito

Tenho sempre muita curiosidade em saber o que falhou, pois é essa a única maneira de aprender e corrigir de forma a não a voltar cometer os mesmos erros. Mas como não sou parte da equipa técnica do Sporting, já tinha feito as minhas sugestões antes do jogo e ainda assim sugeri algumas das causas da débâcle de passada 3ª-feira, não mais tinha revisto pensado no jogo.

Hoje, em jeito de preparação do próximo, pensei em escrever sobre o que pior correu no jogo anterior: a coesão entre sectores, a capacidade colectiva da equipa. Foi com surpresa (e espanto) que vi este post que descreve – nos golos – mas foi assim durante toda a partida, exactamente o que queria partilhar: a inexistente capacidade do Sporting em travar os movimentos verticais do FCPorto e o consequente recuo até à zona defensiva e (pior) a ausência de coesão da equipa na ocupação dos espaços. Por isso havia dito que este tinha sido o pior jogo do Sporting e que não havia que procurar responsáveis individuais, pois tinha sido o colectivo que tinha falhado.

Antes do jogo tinha referido que o Sporting tinha de ser uma equipa coesa e de muita posse de bola, para contrariar o jogo de transições rápidas do FCPorto. Aconselhava a prudência e as características dos jogadores do Sporting que jogar nas mesmas transições do adversário, aproveitar os seus espaços, poderia partir a equipa e descompensá-la defensivamente.

Era esta a minha lógica e foi isso que efectivamente se verificou. Quando tinha espaço para atacar, o Sporting circulou a bola para zonas afastadas dos apoios e perdeu-a. Quando quis defender depois de perder a bola, tinha a equipa afastada e era incapaz de actuar em bloco. Com um FCPorto a sair rapidamente na pressão aos médios de construção (AS6 e JM28), com os dois outros médios (MV24 e MI7) incapazes de oferecer através do desequilíbrio individual a profundidade necessária e um Sporting sem paciência e proximidade de sectores para trocar a bola, o Sporting viu sempre o FCPorto atacar rápido (e com números) após a perda de bola. Esse foi o aspecto mais doloroso da exibição do Porto, o sentimento de impotência perante o adversário. Foi isso que fez o FCPorto, cujos jogadores – na sua esmagadora maioria – não são superiores aos do Sporting, parecer incrivelmente superior. O Sporting jogou a uma velocidade que os jogadores que tinha em campo não lhe permitia. Como quando Federer procurava bater Nadal no tipo de jogo deste, tinha tudo para se dar mal.

Mas a deficiente abordagem ao jogo – ou empenho/agressividade na recuperação (note-se como aqui se dá correcta conta do facto de, estatisticamente, os jogadores do Sporting terem corrido mais do que os adversários) – não foram, na minha óptica, o principal problema do jogo da passada 3ª-feira. É que, como refere o post citado com a análise aos golos portistas, o problema vem de longe: uma tradição enraizada de defender num bloco baixo e ao homem, treinada por PB ao longo dos últimos 4 anos.

O Sporting que defendia em dois momentos – através de uma pressão local no sítio da perda da posse de bola e num bloco defensivo baixo – (felizmente) teve de deixar de existir com o novo modelo de jogo que insiste em circular a bola e em procurar o espaço. Com jogadores preocupados em encontrar linhas de passe e apoios, com um jogo assente na sua qualidade técnica em vez de baseado no número de pontapés para a frente estatisticamente necessário até se marcar um golo, o Sporting passou a precisar de deixar as velhas (danosas) rotinas do bloco baixo para ter de comportar-se colectivamente em todos os momentos do jogo. Como para as bolas paradas – em que se nota que os jogadores continuam à procura do homem em vez de atacar a bola – o Sporting teria de constituir um bloco defensivo colectivo por forma a atacar/reduzir os espaços para o adversário ter a bola.

Nos movimentos colectivos do FCPorto nos golos sofridos, isso é bem evidente: um Sporting desequilibrado defensivamente, recua até à sua área nunca sendo capaz de contrariar os rápidos movimentos dos adversários nas suas penetrações verticais. Todas as jogadas exemplificadas do FCPorto são excelentes do ponto de vista teórico. Mas apenas porque ao bloco defensivo do Sporting se apresentou extremamente macio na tentativa de reduzir os espaços ao adversário. Sem atacar colectivamente o espaço e a bola, os movimentos verticais dos jogadores do FCPorto ficam à responsabilidade individual de cada jogador do Sporting e não se pode dizer que estes ajam incorrectamente (à excepção do LG18 no 4º golo, mas isso é evidente).

O problema é outro e é colectivo: perante uma equipa que coloca tantos jogadores a penetrar verticalmente, ou (i) se joga com um bloco muito baixo e se abdica de atacar (é o que fazem a maioria das equipas portuguesas) tornando o bloco defensivo compacto mas a possibilidade de marcar golos diminuta (e por isso o FCPorto tem sentido dificuldades para ganhar os seus jogos), ou (ii) se joga num bloco intermédio coeso e se procura travar os movimentos verticais do adversário caindo sobre o portador da bola. Dar tempo ao portador da bola para pensar e recuar quando não se jogadores suficientes para preencher a zona defensiva só poderia dar mau resultado.

Três últimas notas. A primeira, no que venho insistindo há muito: o Sporting não pode jogar com um bloco baixo porque afasta a equipa das zonas de finalização em que deve estar a maior parte do tempo. Portanto das duas opções acima referidas, o Sporting só tem uma: ser uma equipa competente do ponto de vista colectivo. Para isso precisa de um bom treinador e que o treinador tenha tempo para implementar as mudanças necessárias para assegurar essa competência.

A segunda diz respeito às entradas de PM2, SP22 e JP21, aqui referidas: obviamente que uma das formas de cortar com o passado – i.e., com o que de mau se fazia durante o reinado de PB – é mudar os jogadores. Ora, em primeiro lugar, essa não é uma solução que esteja ao alcance do Sporting. Em segundo, mudar parcialmente de jogadores não permitirá alterar estas rotinas, porque permanecerão outros 8 jogadores em campo que precisam de ser ensinados para jogar num modelo diferente.

Não é a mudança de AS6 por PM2 que dará diferença, porque o 1º tem jogado muito bem, ainda que a generalidade dos observadores tenha uma capacidade baixa para compreender o contributo (positivo e negativo) dos jogadores e as suas condicionantes (o adversário e os colegas de equipa). PM2 até pode fazer jogos muito competentes do ponto de vista dos apoios e da percentagem/qualidade de passe, mas o Sporting irá necessariamente pecar defensiva e ofensivamente pelas mesmas razões que pecou no Porto. Aí a responsabilidade não será do PM2, como não era do AS6 que tinha de ver jogadores disparados na sua direcção. E presumivelmente o Sporting perderá as melhores características de AS6, rapidez de decisão e certeza em passes médios-longos.

Por último, como havia referido depois do jogo, CC tinha a sua quota de responsabilidade mas também uma percentagem assinalável de desculpa na forma como os jogadores se comportaram em campo. Se é verdade que tinha de mudar quase tudo da era-PB, também é verdade que isso é excepcionalmente difícil com a carga competitiva da equipa.

Eu defendia uma regresso às origens e um futebol mais simples, que desse mais coesão entre sectores. Mas o L31 disse que não gostava de jogar sozinho…

04 Fevereiro 2010

Bottoming out

Nada mais exemplificativo da ausência de liderança do que um líder ausente.

Tem-se ouvido de tudo nos últimos dias: das habituais reacções emocionais dos adeptos – alguns defendem aquilo que gostam, a limpeza de balneário como se o registo de contratações do Sporting fosse bom, o Sporting tivesse dinheiro ou fosse sequer equacionável que o Sporting seria capaz de contratar melhores jogadores do que os que tem… - à referência de que o plantel é um ninho de víboras, a considerações sobre um treinador a prazo e/ou sem condições técnicas para continuar, até alguns jogadores antes adulados começam a sentir o peso da sua responsabilidade no colectivo.

Nada disto é mentira. Nada disto é verdade. Tudo isto é obra da falta de liderança no clube e do virtual esgotamento da estrutura, emagrecida ao ponto da sobrevivência. Por isso, quando “a oposição” refere que os mandatos são para se cumprir – quando ainda faltam 3 anos e 4 meses até ao final, não se consegue compreender. Como referi aqui, não eram apenas as soluções de JEB que se tinham desmoronado, era a base do seu programa sufragado pelos associados para o futuro do clube. A legitimidade eleitoral de JEB foi posta em causa e o seu comportamento, desde então tem reforçado a deriva em que o Sporting vive.

Os resultados historicamente maus são dolorosos para os adeptos, que inevitavelmente passam ao ataque na procura de razões para expiar a dor momentânea. É nestes momentos que aparece a liderança, ainda que o passado recente tem demonstrado que mesmo as lideranças tidas como mais fortes (no FCPorto) sofram abalos fortes em períodos de derrotas.

E é mesmo de liderança que o Sporting precisa. Não de passar a mão pelo pêlo dos sportinguistas, oferecendo um consolo passageiro que se transforma – as mais das vezes – num pesadelo no futuro. É preciso alguém outro que o JM28 que venha defender os jogadores e o treinador depois de uma exibição historicamente má. É preciso resguardar o grupo – e os activos mais valiosos – para procurar em paz as soluções necessárias, sem tumultos, sem pressões. Sob pena dos jogadores interiorizarem que quem toma as decisões são eles e que o melhor é mesmo sair, para onde normalmente ganham mais e são mais apreciados (vide Varela).

É preciso haver alguém que diga o óbvio e que insulte os idiotas que pensam que percebem de futebol e que, pior do que isso, influenciam pelo menos algumas pessoas que percebem tanto de futebol como eles.

E o óbvio é por exemplo isto: entre Manuel Fernandes e MV24, quem é o jogador preferido do Mourinho? A resposta está na hierarquia das opções.

Dizer o óbvio é mostrar os dentes perante a adversidade, é saber gerir a narrativa na imprensa, é mostrar que o Sporting não é algo em que se bata impunemente. É oferecer uma voz dissonante qual a qual os adeptos se possam rever, é denunciar os jogos ínvios da imprensa desportiva e a sua leitura interessada dos factos, parar reapropriar os sportinguistas do comando do clube. É ser líder, independentemente de se ser Chairman, CEO ou COO. É impedir um clube gerido de fora para dentro, ou do balneário para cima. É fazer o Sporting ser temido.

As soluções exauridas são isso mesmo: soluções terminadas. Há que perceber que o Sporting está acima de tudo.

03 Fevereiro 2010

Sem rei nem roque

Este Sporting é uma vergonha.

Enquanto JEB esteve ausente por “motivos pessoais”, tivemos um “team manager” a dar um voto de confiança à equipa técnica.

Mas que autoridade tem este gajo?

02 Fevereiro 2010

(Agora ficou pior…)

L31 – Pô LG18! Obrigado pela assistência maravilhosa. Que belo cruzamento, porque não fez outros antes? Tinha que deixar esse passe açucarado para os 92’?

LG18 – Faço o que posso… e até me tirarem o Varela da frente não conseguia subir. Sacana!

L31 – Aahh… Legal. Mas porque não tentou você subir com o Varela?

LG18 – Oh L31!... Porque se me obrigam a fazer um passe as coisas tornam-se muito complicadas. Eu sou bom é a chutar a bola para onde estou virado.

L31 – Esse Varela… bom de bola! Tomara tivéssemos jogadores assim.

LG18 – Pois… e não é que insistiam em construir todas as jogadas de ataque com o Varela como referência. Não consegui ganhar uma única bola! Foi um desassossego. Aliás, estava tão farto de ser ultrapassado que aos 40’ tentei ser expulso, para me poupar a mais uns minutos de humilhação. Ainda tentei insistir com o mister, mas ele voltou a colocar-me em campo na 2ª parte.

L31 – Pooois… foi por isso que o Varela passou por você sem sequer fazer uma finta no lance do 4º gol?

LG18 – Talvez… Mas ele adiantou a bola…

L31 – Pooooois… mas eu também tentei fazer isso muitas vezes e não consegui fazer nenhuma. E nem estava lá aquele zagueiro grandão.

LG18 – Oh L31!... Tocaste na bola… assim… até aos 60’?

L31 – Que me lembre não! Não sou responsável por essa hecatombe!

LG18 – Pois… nem eu.

L31 – É tudo culpa desses miúdos que não sabem jogar bola. Esse AS6, minha nossa senhora, antes dele sair aquilo parecia uma avenida! Foi quando entrou o MF14 que conseguimos estabilizar o colectivo.

LG18 – Mas oh L31, entre o momento da saída do AS6 e o 5º golo do FCPorto, só passaram 17’. Se calhar não foi por isso.

L31 – Não sei não! Sei que precisamos de reforçar o time, porque com esses miúdos a gente não vai lá!

LG18 – Pois… mas ouvi dizer que fomos a equipa europeia que mais gastou neste período de transferências. Será que há dinheiro para mais?

L31 – Não sei não. Mas preciso de outro colega para o ataque porque está visto que esse CS9, ou o SP22 não serve não. O time não joga bola!

LG18 – Pooois… era bom que pudéssemos contratar esse Varela. É bom jogador e eu não tinha de voltar a jogar contra ele. Excepto nos treinos, claro.

O que esperar hoje do Sporting?

Estão reunidas condições singulares para o Sporting vencer esta noite no Dragão, algo que nunca será fácil de fazer. À partida, o FCPorto joga sem 4 dos seus jogadores mais importantes: Hulk suspenso, Cristian Rodriguez e Raul Meireles com problemas físicos, Bruno Alves – capitão de equipa – afastado por motivos disciplinares. E o FCPorto joga também com o balneário dividido por uma rixa entre um seu central e Tomás Costa. Tempos difíceis no Dragão a comprovar que não há liderança forte que não trema (veja-se aqui…) perante a adversidade. Havendo dinheiro para entreter as massas com contratações é sempre mais fácil criar a aparência de se procurar constantemente o “reforço” das ambições do clube (a esta notícia, volto a dizer: Nelson Oliveira, David Simão, Roderick e Miguel Vítor poderiam encontrar mais facilmente o caminho do sucesso ao serviço do Sporting).

Mas se o adversário está fragilizado pela ausência do seu capitão, pela ausência de dois dos seus extremos mais desequilibradores, pela ausência do elemento que costuma a ligação entre a defesa e ataque, os seus substitutos não deixam de ser de respeito. É uma janela de oportunidade, e se as fragilidades devem ser exploradas, o ambiente (e o árbitro) não permitirão um desfecho fácil. Perante este adversário, o que esperar do Sporting esta noite?

O FCPorto será mais frágil do seu lado esquerdo, pela dupla acção da incapacidade de Maicon fechar correctamente as subidas do seu lateral e pelas características de Álvaro Pereira, temerário na sua abordagem ofensiva. A zona entre Maicon e Álvaro Pereira terá de ser o canal preferência para a transição ofensiva, que se quer pensada, mas directa para o avançado que caia nessa zona, para colocar imediatamente em perigo o último terço ofensivo do FCPorto. Também por isso, com JP21 desse lado, será útil fazer MI7 jogar nesse flanco. A bola tem de sair na vertical para a referência e daí para a construção, com proximidade de JM28 e MI7, situados numa zona mais central, e JP21 a aparecer por fora. MV24 ficará numa zona mais central na cobertura e, desenvolvendo-se a jogada, poderá aparecer em zona frontal que é boa para a finalização.

Face às características do adversário, este jogo aconselha a que se ignore o flanco esquerdo. Não apenas pela incapacidade de LG18 fazer o que seja com a bola (ajuda!), mas porque Fucile é um adversário temível e Rolando rápido na sua protecção. O jogo deve ser pausado na esquerda e acelerado na direita.

As características do jogo aconselham ainda à presença de SP22 pela rapidez e – diria – HP23 pela capacidade que tem de fazer circular a bola. Sem centrocampistas capazes de levar a bola até à linha de fundo, sem YD20 com gripe, o Sporting terá na ausência de profundidade ofensiva o seu maior adversário. O meu 11 passaria por fazer alinhar essa dupla, que ainda conseguiria enervar o público do Dragão, descontente com o 3º lugar e mais susceptível de intranquilizar uma equipa da casa que está sem as suas principais referências.

No resto, os mesmos que alinharam em Braga, a bem da consistência da posse de bola, que hoje é mais importante do que noutros encontros. Uma bola solta no centro para remate do MV24 poderá ser suficiente.